JORNAL OS MENDIGOS - Mendigando idéias

Quarta-feira , 18 de Março

Como preparar: analfabeto ao molho platinado

Aos que dizem que só falamos da mesma coisa, resolvemos abrir a nossa seção de culinária. Vamos aprender a preparar um analfabeto ao molho platinado!

INGREDIENTES:

- 01 pessoa;

- 01 televisão com os programas da Rede Globo (famosa "Vênus de platina");

- 01 CD de forró a gosto;

- 01 revista de direita (mais usada: VEJA);

- 01 livro de auto-ajuda;

OBS:>Usaremos alguns instrumentos em paralelo.

MODO DE PREPARO:

O segredo da receita está no fato de manipular, por isso a Rede Globo é o ingrediente mais importante (fica muito difícil conseguir sem ela). Até os 6 anos, deixe a pessoa por no mínimo quatro horas por dia assistindo à televisão (prioridade: programa da Xuxa). É importante fazer isso, pois desde cedo ela vai adquirindo analfabetismo cultural.

A partir daí, é crucial que o gosto musical seja também manipulado; como fazer isso? É simples: compre um CD de alguma banda de forró e o dê a essa pessoa. Se ela escutar todo dia, já avançamos um passo importantíssimo em nossa receita. Acabar com o gosto musical é crucial, pois existem músicas que podem desmascarar nossa intenção. Indicamos o "forró da piriquita" ou "créu", pois são os mais eficientes.

Não esqueça da Globo! Manipule a pessoa de modo que ela assista aos programas a seguir: Jornal Nacional, Malhação, Novela (das 6, das 7, das 8, das 9, das 10...), Xuxa, FAUSTÃO, Big Brother Brasil e Fantástico. Caso queira diminuir um pouquinho só o grau de idiotice, pode usar programas das demais redes.

Claro que não podemos esquecer da leitura! A partir dos 10 anos, indique uma revista fascista (se não o for, poderemos ter problemas). A mais usada pelas pessoas é a VEJA>, inclusive é a que sugerimos no início. Com isso, o senso crítico da pessoa se tornará uma verdadeira piada, tornando-a totalmente alienada.

Como leitura paralela, um livro de auto-ajuda pode ser usado como tempero.

JAMAIS, eu repito, JAMAIS permita que essa pessoa tenha acesso à cultura, pois quando a verdade vem à tona todo o nosso trabalho poderá ser em vão. Como fazer isso? Não permita leituras como Marx, Bakunin, Milton Santos e Nelson Werneck Sodré. Também não aceite de maneira alguma que essa pessoa veja vídeos de um tal de Michael Moore, nem outro chamado "Muito além de cidadão Kane". E se essa pessoa tiver algum professor que queira mostrar a verdade, nunca permita que tal pessoa sente em uma mesa com esse elemento, é extremamente perigoso! Você não quer que ele a manipule, não é verdade?

Se tudo ocorrer dentro dos conformes, alcançaremos o nosso objetivo! E na hora de servir? Não adianta preparar esse prato se não for para servir! Não se preocupe, essa pessoa "servirá" eternamente às elites.

 Bom apetite, e continuemos a alienar a todos!

       Mendigo Itamar Sales


Escrito por um Mendigo às 22h38
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Quarta-feira , 04 de Março

INVERSO

Os Catadores de Papel

 

Pela cidade afora,
noite ou dia,
a qualquer hora,
os catadores de papel
são triste paisagem,
 
vão juntando papel e pobreza,
moram assim,
nas praças, nos vãos,
em casa feita de nada.
 
Tenho tanta pena
dos catadores de papel,
agora moram aqui,
no meu poema
 
Roseana Kligerman Murray

 

 

 


Escrito por um Mendigo às 19h38
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Terça-feira , 03 de Março

 

A Subcultura Política

Este artigo trata da política disseminada desde antes da República Velha, até o presente momento. Disserto sobre a evolução de uma cultura, pautada na individualização do gestor público e na supressão do bem social em prol de interesses particulares.

Fala-se em Subcultura Política quando um grupo de indivíduos desenvolvem formas de agir - contrárias as que são conhecidas conceitualmente -, de modo a criar, dentro do que habitualmente se chama de “arte de bem governar os povos”, vários mecanismos de promoção pessoal em detrimento dos interesses sociais.

A Subcultura Política se desenvolve respaldada pelo clientelismo, relação política em que uma pessoa (o patrão) dá proteção a outra (o cliente) em troca de apoio; pelo caciquismo, os manda-chuvas; nepotismo, favorecimento de pessoas ligadas à mesma família; pelo coronelismo, o poder ou influência do coronel na vida política e social em certas áreas do Brasil; além de diversas outras artimanhas que os chavões da política encontram para se perpetuar no poder.

Façamos o Flash Back histórico. Estamos no período republicano (final do século XIX e começo do XX). Os ricos fazendeiros reeditam uma relação análoga àquela entre suserano e vassalo do Sistema Feudal, com um recebendo do outro a proteção em troca de apoio político. A sociedade é fundiária, patriarcal, hierarquizada e fortemente marcada e vigiada pelo cristianismo. Aos que estão no poder aplicam-se as crenças de que o político (chefe político) seria a própria fonte dos benefícios públicos; que a maneira de buscar benefícios ligados ao poder público passa pelo pedido feito diretamente ao chefe-político; que político bom é aquele que o conhece pelo nome, o cumprimenta, mesmo que só o faça na véspera do período eleitoral; que roubar todos roubam, mas existem aqueles que roubam, entretanto, também contribuem com o povo de alguma forma, por isso devem ser apoiados; que político bom é aquele ligado a deus, que contribui com doações à igreja; que, às vezes, o administrador contrata familiares por entender que estes são, de norte a sul, os mais competentes.

Nem precisamos retornar do flash-back. Hoje, as relações políticas continuam as mesmas. Estão mais modernas - é bem verdade-, no entanto, continuam tendo como princípio a individualização da gestão pública em favorecimento das famílias tradicionais, detentoras dos meios de produção.      Enfim a barganha-eleitoral, em particular a distribuição singularizada de bens aparentemente públicos (o clientelismo estatal), não deve ser vista como incompatível à democracia neoliberal. Este não se restringe às práticas desta subcultura, entretanto a engloba como uma de suas malignas alternativas.

Diante destas reflexões, refaço o início deste ensaio. Esta Subcultura está longe de ser um “desvio” (disfunção), é um fato “normal” (funcional) em nosso país. Não é a exceção, é a regra.

Mendigo José Adil V. Júnior

 


Escrito por um Mendigo às 20h05
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Segunda-feira , 02 de Março


Camaradas, a nossa 6ª EDIÇÃO já está sendo comercializada nas mãos dos nossos mendigos.

Como diria um mendigo amigo nosso ela está bastante ácida. O ateísmo e a Revolução Cubana (e os seus ensinamentos) são os temas predominantes.

Vamos lá leitores, nós livrem da falência, adquiram um jornal (R$1,00, apenas)!


Escrito por um Mendigo às 21h02
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Carta a Galvão Bueno

“É preciso, pois, que reduza o assim chamado princípio da nacionalidade, princípio ambíguo, cheio de hipocrisias e de armadilhas, princípio de Estado histórico, ambicioso, ao princípio muito maior, muito simples e único legítimo, da liberdade: cada um, indivíduo ou corpo coletivo, sendo ou devendo ser livre, tem o direito de ser ele próprio, e ninguém tem o direito de impor-lhe seus costumes, sua vestimenta, sua língua, suas opiniões e suas leis; cada um deve ser absolutamente livre em si. Eis a que se reduz, em sua sinceridade, o direito nacional. Tudo que estiver além disto, não é a confirmação de sua própria liberdade nacional, mas a negação da liberdade nacional de outrem. O candidato deve, pois, detestar, como nós, todas estas idéias estreitas, ridículas, liberticidas e, conseqüentemente, criminosas, de grandeza, de ambição e de glória nacional boas apenas para a monarquia e para a oligarquia, hoje igualmente boas para a burguesia, porque lhe são úteis para enganar os povos e amotiná-los uns contra os outros para melhor submetê-los.

É preciso que em seu coração o patriotismo, ficado daqui para frente em segundo plano, ceda lugar ao amor pela justiça e pela liberdade, e que se necessário, se sua própria pátria separar-se destes valores, jamais hesite em tomar partido contra ela; o que não custará muito, se estiver realmente convencido, como deve estar, de que só há prosperidade e grandeza política em um país através da justiça e da liberdade.”

Michael Alexandrovich Bakunin (1814-1876)

 


Escrito por um Mendigo às 20h31
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Editorial

5ª edição

À medida que a mendicância aumenta, nosso povo vai tomando consciência do que está à nossa volta e fingíamos não ver. É nesse ritmo que abrimos nossa 5ª edição, explicando realmente o porquê do nome "Os Mendigos" e a razão de estarmos cada vez mais alfinetando essa sociedade individualista que nos cerca.

Seguimos com nossas críticas, desta vez mandando uma carta a Galvão Bueno, escrita por um ilustre Mendigo. Também trataremos da subcultura política, do jovem alienado (figura infelizmente comum atualmente), como a mídia utiliza esse jovem para se beneficiar, os 20 anos da Constituição, além de outros temas. Aliás, o que mais o jornalismo alternativo que propomos poderia destacar? Receitas, horóscopos? A resposta é SIM. A você, leitor, que tanto nos julgou por não sermos como os outros, ao folhear as próximas páginas terá a resposta.

Gostaríamos também de avisar a todos que alguns de nossos Mendigos foram à Rádio, nas escolas, nas universidades, nas ruas e que pedimos um espaço na Revista Caros Amigos (o que felizmente foi concedido); tudo isso para divulgar essa iniciativa e provar que é possível MUDAR!

Jovens revolucionários, não vos intimidem! Existe dentro de nós um ideal muito maior que nós mesmos! Alimentados por esse ideal nos intitulamos "OS MENDIGOS" e temos o orgulho de dizer "Se um mendigo incomoda muita gente, a MENDICÂNCIA INCOMODA MUITO MAIS"!

 

 


Escrito por um Mendigo às 20h28
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Terça-feira , 13 de Janeiro

 

Saudações + Comunicados

A contento, fechamos o ano de 2008. Continuamos firmes no propósito de construir uma sociedade nova, firmada na justa valorização do trabalho e na igualdade. Sabemos que enquanto subsistir o capitalismo - e as suas tenebrosas conseqüências-, não poderemos sonhar com um ano novo decente. Assim, que neste ano caía de vez o que já está podre, que o capitalismo padeça diante da sua ineficiência em construir um mundo mais justo. Este é nosso sonho! Esta é a nossa luta! E isso é o que nós desejamos em prol das famélicas famílias brasileiras.

No mais, começaremos a postar os textos da 5ª edição. Gostaríamos muito que o sucesso da 4ª edição se repetisse; portanto, por favor, continuem discutindo todos os textos.

A 6ª edição do jornal impresso sairá em breve e as camisas continuam sendo vendidas.

 


Escrito por um Mendigo às 00h08
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Domingo , 14 de Dezembro

Editorial

4ª EDIÇÃO 

         Depois de tanta luta por igualdade racial, depois de tantas mortes e tantas barbáries, a América comemora a escolha do primeiro déspota negro de sua história. Interessante eles falarem que em Cuba não há democracia, haja vista que temos um presidente negro, entretanto não tivemos a oportunidade de elegê-lo.

         Ao som de “Pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré, embalamos essa edição, falando sobre os mesmos temas, afinal as necessidades ainda são as mesmas, e continuamos comunistas; continuamos odiando a mídia gorda; continuamos a defender o fim do bloqueio a Cuba; continuamos o combate à religião, alguns ao próprio Cristo.

         Nosso povo segue morrendo à míngua. Nossas crianças seguem no mundo do tráfico. Ao léu, sem nenhuma assistência do Estado que, simplesmente, fecha os olhos e finge não ver que o problema é de sua responsabilidade. Ademais temos uma dica aos nossos leitores: se os nossos temas mudarem, decerto a postura alternativa do jornal também mudará.


Escrito por um Mendigo às 13h57
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Sábado , 13 de Dezembro

 Feliz natal a todos!

       Bem aventurados os que não morrem de fome no natal. Felizes são aqueles que podem ter o seu peru no dia 25 de dezembro. Sorte dos que têm teto para passar a ceia de natal. E quem não possui essas regalias?

     Inicialmente se, o caro leitor, me permite explicar o último termo, deixo claro que a expressão foi usada intencionalmente, pois quem pode comer e ter um teto, não só no natal, mas em qualquer época do ano, no país onde vivemos é, sem dúvida, um sortudo.
     Muitas vezes, "somos" manipulados pela mídia gorda. Somos induzidos a encarar o natal como se fosse uma época do ano em que não há fome, não há miséria e muito menos desigualdades. Mais uma vez, nobres colegas, tenho que dar um puxão de orelha em todos que persistem em fechar os olhos para não ver o que está debaixo do nosso nariz.

     Temos que abrir os olhos quando passamos por alguém deitado no chão no meio da rua, no meio do nada. Temos que erguer a mão, não pra bater, mas para ajudar alguém a reergue-se.  Temos que levantar a voz, não para humilhar os outros, mas sim para lutar pelos direitos do nosso povo. Temos que vestir a camisa, não para torcer  pela seleção brasileira e ser mais um, mas sim para sair nas ruas clamando por liberdade.

     Esse sim seria o primeiro natal que todos nós teríamos. TODOS!

     Quando todos possuírem uma casa pra morar, um prato com comida, fruto do seu emprego. Com certeza poderia colocar, sem ironia, o título desse texto tal como é.

Mendigo Yago Bruno


Escrito por um Mendigo às 11h55
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Sexta-feira , 12 de Dezembro

 Colômbia, ou 60 anos de sangue

Antecedentes

As eleições presidenciais colombianas estavam marcadas para 1950. De um lado, o Partido Conservador, que chefiava um governo corrupto e elitista; do outro, o Partido Liberal, a oposição personificada na figura de seu líder, Jorge Eliécer Gaitán.

As propostas de Gaitán, em 1948, eram as mesmas pelas quais vários movimentos sociais em todo o mundo ainda lutam: democratização da terra, educação pública de qualidade, igualdade de direitos à mulher... O maior problema da situação, não se devia, no entanto, às propostas do Partido Liberal, o perigo estava na popularidade de Gaitán e na possibilidade da sua vitória nas eleições; isso, definitivamente, não agradava à parte mais rica da Colômbia.

A resposta não poderia ser diferente: Gaitán foi assassinado com três tiros por um desequilibrado. O povo, em um ato de fúria que supera aquele após a morte de Getúlio Vargas, começou a manifestar-se pelas ruas, era uma correnteza que varria Bogotá. Homens quebravam vidraças enquanto homens discursavam nas esquinas; chuvas de pedras dos revoltosos contras as balas dos soldados. Fidel Castro, ainda estudante de direito, por coincidência, estava na Colômbia para encontrar-se com Gaitán, segundo ele, por toda a cidade se ouvia "Viva a guerra civil!", "Viva o Partido Liberal!" Armas eram distribuídas ao povo, que tomava repartições gritando: Pueblo! A la carga! 

A resposta do governo foi a de sempre: repressão. E se há algo notável na história da América Latina é que, dificilmente, se pode calar o povo afogando-o em seu próprio sangue.

O início do conflito

A repressão trouxe frutos podres cujo sumo era sangue, sangue que há 60 anos não coagula. Os camponeses colombianos foram perseguidos severamente, não poderia ser diferente, os latifundiários precisavam de terra, terra cujo fruto (como a cana-de-açúcar e o algodão) não ficaria ali, na Colômbia. Para se ter uma noção da violência, a Confederação Camponesa e Indígena teve seus líderes exterminados; estima-se que tenham morrido 200 mil camponeses e que dois milhões tenham sido expulsos de sua terra.

Os camponeses se organizaram em autodefesas que mais tarde transformar-se-iam nas guerrilhas; qualquer velha arma de fogo era útil. Dentre esses camponeses destacou-se Manuel Marulanda Vélez, o "Tirofijo" (1930-2008), um dos principais comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP), nascida na região de Marquetalia em 27 de maio de 1964. Cada vez mais camponeses expulsos de sua terra engrossavam a guerrilha, seja nas FARC-EP, ou em outros movimentos como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o M-19.

Há um ponto essencial para compreender a história das FARC-EP: a influência do comunismo. Ora, como a maioria das guerrilhas que surgiram na América Latina, as FARC-EP dividiram os comunistas. A União Soviética, por exemplo, seguia a sua política de não estimular conflitos armados na América Latina. Houve um racha no Partido Comunista Colombiano e parte dos seus integrantes passou a apoiar a guerrilha. Dessa forma, as FARC-EP têm inspiração marxista-leninista e, segundo eles, têm por objetivo derrubar a ordem conservadora para criar uma Colômbia verdadeiramente livre com a democratização da terra, controle dos recursos naturais, educação e saúde públicas e de qualidade.

A Colômbia hoje

Bem se sabe que um exército é extremamente caro e, por isso, difícil de manter se não se conta com impostos. Os soldados não estão produzindo nada, não estão trabalhando, e, em especial no caso da guerrilha, estão permanentemente em guerra. A solução encontrada pelas FARC-EP foi a extorsão e a cocaína. Não pensem, no entanto, que os guerrilheiros fabricam a droga, eles cobram impostos de quem a produz. Mais recentemente passaram a usar o seqüestro como instrumento para conseguir recursos. Essas atividades das FARC-EP são responsáveis pela sua baixa popularidade entre os colombianos. Em minha interpretação, no que se refere ao seqüestro, trata-se de uma prática necessária para a guerrilha, mas nem por isso justificável ou aceitável.

A designação de "terrorista" para as FARC-EP é, no entanto, uma atitude meramente política. Quando um inimigo pretende demonizar outro e justificar o seu extermínio, a melhor jogada possível é designar aquele grupo como terrorista - a "guerra santa" travada por George Bush contra os muçulmanos é a maior prova disso. Aliás, não seria também uma jogada associar o presidente venezuelano Hugo Chávez aos "terroristas" colombianos? Poderíamos seguramente dizer que o Estado colombiano é também terrorista por perseguir e matar camponeses acusando-os de estarem vinculados às FARC-EP. Aliás, essa é uma das práticas mais utilizadas pelo governo de Álvaro Uribe (atual presidente da Colômbia). Quando se quer afastar um opositor a melhor atitude possível é vinculá-lo aos guerrilheiros. O melhor exemplo dessa atitude é a perseguição política às senadoras Piedad Córdoba e Glória Inês Ramirez, ambas pertencentes ao partido de oposição Pólo Democrático Alternativo e empenhadas na luta pelos direitos humanos.

Detendo-se um pouco a Uribe, o presidente conta com 84% de aprovação popular por um motivo simples: cumpriu sua promessa de campanha, dar o inferno às FARC-EP. O presidente, inclusive, tem um drama pessoal ligado à guerrilha, seu pai foi morto quando sua fazenda foi invadida pelos guerrilheiros. O líder mais popular da América Latina, no entanto, tem mostrado que não só a esquerda pode contar com o apoio do povo para realizar reformas que julgue necessárias. Uribe, ao contrário de Chávez, reza a cartilha neoliberal e é o principal aliado político dos EUA na América do Sul; no entanto, assim como o presidente venezuelano, Álvaro tem tudo para conseguir um mandato além do permitido pela constituição, no caso seria o terceiro. Aliás, será realizado um referendo para aprovar esse terceiro mandato, qualquer semelhança com Chávez é realmente mera coincidência.

Nem tudo são flores brancas no governo de Uribe; para falar a verdade, seu governo passa longe disso. Seu irmão, Mário Uribe, e ex-presidente do senado foi preso sob acusação de ter ligações com os grupos paramilitares (os "exércitos" de ultradireita formados ilegalmente para combater a guerrilha e aterrorizar os camponeses). Para falar a verdade, são mais ou menos 60 parlamentares envolvidos com os narcotraficantes e com os paramilitares. A maior prova que Uribe está também envolvido com eles é o seu esforço para submeter o judiciário ao executivo e tirar os parlamentares de trás das grades, dando-lhes, novamente, o cargo no congresso.

Talvez Chávez tenha razão e não estejamos mais em uma época de guerrilhas, as FARC-EP não têm mais a força que tinham e muito menos o apoio popular, talvez pelos seqüestros e por não ter como comunicar-se efetivamente com o povo. A melhor saída para o conflito seria o debate e a paz, mas não é algo tão simples. Uribe, convencido de que pode derrotar a guerrilha, não quer saber de diálogo e só pensa em aumentar sua popularidade através da guerra. As FARC-EP, por outro lado, não tem nenhuma segurança de que podem adotar a via democrática, da última vez que o tentaram fazer, em 1980, quando fundaram a União Patriótica para concorrer às eleições, cerca de 5 mil dos seus integrantes foram assassinados pelos paramilitares.

O lema da Colômbia, "Liberdade e Ordem", não poderia ser mais contraditório. Não há Liberdade, mas há ordem, uma "Ordem" há 60 anos banhada de sangue. Por quantos mais?

Mendigo Jorge Luan


Escrito por um Mendigo às 18h12
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Terça-feira , 02 de Dezembro

Aviso Importante

           

         A 5ª EDIÇÃO DO JORNAL IMPRESSO OS MENDIGOS JÁ ESTÁ SENDO VENDIDA. PROCURE O SEU NAS MÃOS DOS NOSSOS MENDIGOS.

        ESTA EDIÇÃO TRAZ ALÉM DO BOM HUMOR DE SEMPRE, INOVAÇÕES COMO RECEITAS (COMO PREPARAR UM ANALFABETO POLÍTICO) E FINALMENTE O NOSSO HORÓSCOPO ( UM HORÓSCOPO DIFERENTE DE TODOS QUE VOCÊ JÁ LEU).

        EM BREVE, POSTAREMOS O EDITORIAL E EM SEGUIDA OS TEXTOS.


Escrito por um Mendigo às 11h05
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PARTICIPE DA COMUNIDADE “JORNAL OS MENDIGOS”

 

Entre...

Pense...

Critique...

Mendigue,

como nós,

por idéias,

por um ideal.

 

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=53785709&refresh=1

 


Escrito por um Mendigo às 10h56
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AVISO DA MODERAÇÃO

Caros, primeiramente agradecemos a presença de todos. Nosso blog esteve inativo por um tempo, mas estamos retomando agora com os textos da 3ª e 4ª edição. Gostaríamos de avisar que iremos publicar um texto por dia, começando por hoje (20/11/08). Pedimos a colaboração de todos vocês (articulistas, leitores, comentaristas, críticos, etc...).


Escrito por um Mendigo às 10h48
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Dica de Livro!

            O Evangelho Segundo Jesus Cristo do português José Saramago. Saramago, com este livro, mexeu com as bases da elite católica européia. Ele traz uma reinterpretação da história de Jesus Cristo, banalizando e pondo fim aos mitos sobre a vida de Jesus.

            Maria, deitada de costas, estava acordada e atenta, olhava fixamente um ponto em frente, e parecia esperar. Sem pronunciar palavra, José aproximou-se e afastou devagar o lençol que a cobria. Ela desviou os olhos, soergueu um pouco a parte inferior da túnica, mas só acabou de puxá-la para cima, à altura do ventre, quando ele já se vinha debruçando e procedia do mesmo modo com a sua própria túnica , e Maria, entretanto, abrira as pernas, ou as tinha aberto durante o sonho e desta maneira as deixara ficar, fosse por inusitada indolência matinal ou pressentimentos de mulher casada que conhece os seus deveres. Deus, que está em toda parte, estava ali, mas, sendo aquilo que é, um puro espírito, não podia ver como a pele de um tocava a pele do outro, como a carne dele penetrou a carne dela, criadas uma e outra para isso mesmo, e, provavelmente, já nem lá se encontraria quando a semente sagrada de José se derramou no sagrada interior de Maria, sagrados ambos por serem a fonte e a taça da vida, em verdade há coisas que o próprio Deus não entende, embora as tivesse criado.”


Escrito por um Mendigo às 10h45
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Deus lhe pague! Que eu estou "duro".

 

Desde o início dos tempos, o homem se apega a um ser que desconhece. Ser que é dito "todo poderoso", que tudo sabe e lhe castiga quando você faz algo de mal; mas não seria um paradoxo dizer que o ser que deseja o amor em tudo, é na verdade um vingador cruel?

Outro fato importante de se destacar nesse texto é a religião. Organização que tem o dever de espalhar a "palavra" de Deus e com isso converter novas pessoas a esse grande comércio, tendo como fonte principal de pesquisas espirituais um livro escrito por homens ricos e poderosos, para homens ricos e poderosos.

A religião sempre foi um fator ideológico muito visível, fator esse que leva uma pessoa a se matar para proteger os interesses do todo poderoso. A igreja sempre foi uma assassina cruel, que usava a sua ideologia como desculpa para fazer as atrocidades que faziam e fazem, sendo que na verdade ela só queria conseguir capital, e isso obviamente pode ser observado com o vaticano e o seu querido banco, que é claro foi obtido através de guerras e outros conflitos. Então a religião não é uma boa representante de Deus?

Hoje, temos apenas mais do mesmo, uma igreja que distribui "conhecimento" e em troca disso arrecada o suado dinheiro que as pessoas tanto trabalham para conseguir, com tanta miséria, fome, carência de saúde pouca vergonha dos poderosos a igreja ainda se leva ao luxo de dizer "Não se preocupem, vai ficar tudo bem por que Deus vai resolver tudo." Então já que a grande assassina, covarde, mentirosa e safada religião (ou Deus) disse que vai ficar tudo bem, não se preocupe, continue a ser o mesmo alienado de sempre, mas prepare a sua entrada no céu por que para lá só irão às pessoas abençoadas.

Amém.  

Mendigo Adriel Ociador


Escrito por um Mendigo às 10h43
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Música

O maior momento na vida de Vandré dá-se em setembro de 1968: 30.000 pessoas vão ao Maracanãzinho, no Rio, 30000 cantam, 30.000 ovacionam “Pra não dizer que não falei das flores”, ou Caminhando, que viraria hino. Pega fogo o III Festival Nacional da Canção. Agentes do Serviço Nacional de informação, SNI, pressionam: Caminhando não pode levar o primeiro prêmio.” Os militares agem para impedir que Caminhando cause mais “estragos”. Vence Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim, que leva uma vaia de 23 minutos. Mas Caminhando vence em milhões de corações. A pressão aumenta e Vandré foge. Nilce Tranjan, ex-mulher de Vandré, afirma que ele não sofreu tortura física, porém “a verdade de viver no Chile e voltar em meio a uma ditadura desgraçada, e chegar sem espaço nenhum pra carreira dele, e ainda ser obrigado a se retratar, cria um personagem que não é mais a antiga figura. A ditadura matou Geraldo Vandré”.

Fonte: Coleções Caros Amigos. A ditadura militar no Brasil, Fascículo 10. Governo Geisel - extinta a luta armada. Pág. 307.

 

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantado e seguindo a canção

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição:
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

 


Escrito por um Mendigo às 10h41
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Dica de Livro!

O FASCISMO COTIDIANO. Nelson Werneck Sodré. A partir de textos da mídia gorda o autor analisa a presença do fascismo como ideologia no dia-a-dia dos brasileiros.

 


Escrito por um Mendigo às 10h39
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Terça-feira , 25 de Novembro

O QUE É A LIBERDADE

 A liberdade é o mais belo direito, dever, meio e fim que pode ser alcançado tanto por um indivíduo quanto por uma nação. Pena que muitos não pensam (pensaram) assim, como  mostram todas explorações, submissões, dominações e espoliações que ocorreram e também as que ainda ocorrem, tanto de homem para homem como de nação para nação.

Para discutir a não existência da liberdade atualmente no Brasil é preciso defini-la. Nas palavras do teórico e prático anarquista Mikhail Bakunin "(...)A liberdade é o direito absoluto de todo homem ou mulher maiores de só procurar na própria consciência e na própria razão as sanções para seus atos, de determiná-los apenas por sua própria vontade(...)"  Da passagem anterior decorre que a liberdade de cada indivíduo é ilimitada e que a escravidão de um representa um insulto à liberdade  de todos, ou seja, um homem só é verdadeiramente livre se o mesmo ocorre com seus semelhantes.       

Como corolário das reflexões anteriores concluímos que, atualmente, não há liberdade no Brasil, ao contrário do que afirmam os ingênuos e os enganadores. Uma  das principais causas da inexistência da liberdade é a presença do Estado burguês como regulador da vida social, este representa apenas os interesses da própria burguesia, sendo sempre justo demais com os exploradores e injusto demais com os explorados, por demais maleável com  os dominadores  e excessivamente  inflexível e burocrático com os dominados sob a justificativa de que representa o povo. Aos defensores deste tipo de Estado uma pergunta: quem melhor para representar o povo que o próprio povo? Daí observa-se a completa inutilidade e ineficiência do Estado burguês. Outra causa da alienação da liberdade é a simples existência das igrejas, como fontes de resignação espiritual e dominação ideológica, e o imenso e demasiado poder conferido à essas asquerosas instituições, fundadas no individualismo e na cobiça, que já causaram e continuam causando tanto mal à humanidade. Sobre os dois temas acima Bakunin escreveu: "Como nenhuma abstração existe por si mesma, nem para si mesma, como não tem pernas para caminhar, nem  braços para criar, nem estômago para digerir esta massa de vítimas  que lhe dão para devorar, está claro que assim como a abstração religiosa ou celeste, Deus, representa na realidade os interesses muito positivos, muito reais de uma casta privilegiada, o clero, seu complemento terrestre, a abstração política, o Estado, representa os interesses não menos positivos e reais da classe hoje principalmente, senão exclusivamente, espoliadora e que além disso tende a englobar todas as outras, a burguesia”.Outras formas de escravidão são a dominação pela mídia e toda dominação ideológica em geral, que tem como base o discurso hegemônico e seu principal produto: a globalização, mas suas formas de atuação já são bastante discutida nos textos do jornal, tornando inútil uma nova explanação.

Afim de conquistar a nossa liberdade, urge reconstruir nossa nação, tendo como base a solidariedade, a heterogeneidade e a multiplicidade de valores e como único fim a liberdade dos povos. A reconstrução, visto que é feita pelo homem e para o homem, deve excluir qualquer divindade extra-mundial, onipresente, onipotente e onisciente e deve ser feita de baixo para cima, isto é, com a participação das massas.

Se você discorda totalmente das idéias expostas acima e não é milionário, explorador ou algo parecido, sugiro  que procure uma clínica para tratar-se do masoquismo. Nenhum assunto exposto acima é questão subjetiva, a história mostrará quem está certo e quem está errado. Por último tenho uma pergunta e uma frase para aqueles que consideram o jornal demasiado repetitivo: vocês  não acham o mesmo das suas novelas e telejornais, diariamente expostos na mídia grande.

"O diagnóstico é o mesmo porque a doença ainda é a mesma” (Luis Fernando Veríssimo). Enquanto a sociedade não mudar, nossas críticas também não mudarão.

 

Mendigo Rodrigo Bezerra de Matos

 


Escrito por um Mendigo às 17h35
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Sexta-feira , 21 de Novembro

O Homem-Mídia

 

A história, felizmente, nos permite compreender o desenvolvimento do homem – mídia. A formação de milhões de cabeças, desenvolvidas a partir dos interesses de uma classe minoritária.

A expressão homem-mídia, no entanto, a meu ver, não explica a você, leitor, o real propósito desse texto. Talvez se eu usasse homem-Globo todos entenderiam que aqui falaremos da trajetória de manipulação política do falecido (ainda bem que já posso usar esse adjetivo) Sr. Roberto Marinho. Contudo, apesar de me ater a vida de bandidagem da REDE-GLOBO, gostaria de esclarecer aos nossos leitores que as demais empresas de comunicação não se diferenciam desta. Pois, no meu entender, todas elas são maléficas ao povo e contribuem para a formação do analfabeto-político, que aqui chamo grosseiramente de homem-mídia.

Vivíamos no sangrento regime militar, instaurado em nosso país graças às investidas de Washington, assim fora em toda a América Latina. A Globo estava iniciando a sua programação na TV. Os militares precisavam de um instrumento tão forte como a Globo, para dominar o maior número de cabeças e fazer valer os seus interesses. Eis que surge a Time-Life, uma multinacional estadunidense, que irá possibilitar a concretização do sonho dos ditadores de ter um instrumento de controle social em massa.

A Globo não apenas se omitiu diante das atrocidades do regime, como fez parte da ditadura. Acobertou os militares, escondeu do mundo as persiguições, as torturas e as mortes provocadas pelo golpe militar.

Os interesses da Globo, fatalmente estão na contra-mão dos interesses do povo. O povo escolheu Leonel Brizola para governador do Rio de Janeiro em 1982. A Globo, infeliz na tentativa de fazê-lo perder as eleições antes das votações, manipulou o resultado, divulgando uma derrota inexistente de Brizola. Se não fosse a habilidade política de Brizola, eles teriam conseguido evitar a sua posse.

No fim da década de 80, em meio ao momento de efervescência política, a luta por eleições diretas foi noticiada como uma festa de comemoração do aniversário da cidade de São Paulo. No entanto, era impossível conter os gritos por diretas já. Assim sendo, coube a Rede Globo, apoiar o candidato à presidência que menos colocasse em risco os seus planos.

O favorito dos brasileiros para a presidência, em 1989, era Brizola. Mas, como a Globo tem como princípio nunca estar ao lado do povo, Brizola era o último homem que Marinho queria ter como presidente. De fato, eles nunca permitiram.

Na mesma eleição eles fizeram uma edição de um debate entre o canditado apoiado por Brizola para o segundo turno, o Sr. Luiz Inácio da Silva, e o candidato do Marinho, Fernando Collor de Melo. Nesta edição, eles expuseram uma seleção dos melhores momentos de Collor e dos piores momentos do Sr. Luiz Inácio da Silva. Collor foi o primeiro presidente eleito com a ajuda da rede Globo, porém não foi e nem será o último.

No tocante às transmissões esportivas, a Tv Globo possui o privilégio de dar a última palavra nos contratos que definem quem terá a posse das transmissões do futebol brasileiro. Ou seja, mesmo que outra emissora faça uma proposta maior para as confederações, a Globo ainda será escutada e se, pelo menos, fizer uma proposta equivalente, fica com os direitos televisivos. Deixo claro, que os valores repassados aos clubes são irisórios, tendo em vista o que eles representam e o lucro que eles proporcionam à TV. 

        Para a Globo, o povo é um joguete, a ela cabe escolher como serão as modas, os ritmos, os gostos, os costumes, as manias, até o horário de acordar e dormir é ela quem nos dita. Há décadas que permanecemos em silêncio, vemos as nossas crianças sendo abduzidas pelo fantátisco mundo da XUXA, vemos os nossos adultos entregues ao debate acerca da novela das oito, entregamos as nossas cabeças para que eles façam o nosso cérebro de vaso. Vaso que não possui flores, só esterco.

 

Mendigo José Adil Vieira


Escrito por um Mendigo às 12h40
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Quinta-feira , 20 de Novembro

Será o marxismo uma utopia?

 

            Em meio às efervescências sócio-econômicas do séc. XIX, causadas principalmente pela intensa atividade industrial da época (1ª Revolução Industrial), sugiram os chamados teóricos socialistas, que propuseram uma reorganização social e a construção de um mundo melhor, e que se dividiram basicamente em dois grupos: os socialistas utópicos; e os socialistas científicos (também conhecidos como marxistas).

            Muitos acreditam que, por terem sido impulsionados pelos mesmos motivos estruturais (a exploração do homem pelo homem - que vem acontecendo até hoje; e a imensa desigualdade entre classes que o sistema capitalista gera), e por terem um objetivo principal comum (o surgimento de uma sociedade mais igualitária), podem ser classificados como um só grupo, conferindo o sentido utópico também aos marxistas, o que será analisado nesse texto.

            Charles Fourier e Robert Owen, dois dos mais conhecidos entre os teóricos utópicos, diziam que a solução para se atingir tal sociedade estava na boa vontade das classes dominantes, que se comoveriam com o estado de miséria e pobreza do proletariado, e doariam parte de suas riquezas a ele, o que jamais aconteceria, pelo simples fato de que os burgueses nunca abririam mão de seus privilégios, levando assim o termo utopia, pois depende de que as elites tomem uma posição contrária aos seus interesses. Por outro lado, Karl Marx e Friedrich Engels, os principais teóricos científicos, ao buscarem soluções mais realistas e concretas para os problemas sociais, mostraram em suas obras que o agente modificador das sociedades é a luta de classes (entre explorados e exploradores). Então Marx e Engels, no Manifesto Comunista, conclamaram os proletários a  se insurgirem contra o sistema capitalista que os oprime e tortura, dando o primeiro passo rumo à sociedade tão almejada. Segundo eles, “a queda da burguesia e a vitória dos proletários são igualmente inevitáveis. Os proletários nada têm a perder com ela, a não ser as próprias cadeias”. Assim, a dialética marxista ensina que tudo está em movimento, tudo flui; é a ciência das relações gerais e materiais.

            Com esses conceitos, hoje podemos entender e responder questões do tipo: Por que existem ricos e pobres? Por que a riqueza dos países dominantes depende da miséria dos países explorados? Por que na América Latina, o desenvolvimento desenvolve o subdesenvolvimento, e não elimina o subdesenvolvimento? Por que modernizamos a pobreza ao invés de suprimi-la? Todas essas indagações foram respondidas por grandes pensadores, escritores e filósofos que beberam na fonte do marxismo (ou seja, usavam o marxismo como ferramenta teórica), tal como Eduardo Galeano, em sua obra “As veias abertas da América Latina”, onde ele diz: “A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes – dominantes para dentro, dominadas de fora – é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga [...]. A força do conjunto do sistema imperialista descansa na necessária desigualdade das partes que o formam, e esta desigualdade assume magnitudes cada vez mais dramáticas.”

            No contexto atual de crise do sistema capitalista, onde a grande potência que é os Estados Unidos teme conseqüências catastróficas (semelhantes às de 1929 ou até piores), pode verificar-se a veracidade dos conceitos de Marx (levando em conta que ele falou isso a mais de cem anos!), e a impossibilidade de vivermos em um mundo capitalista por mais séculos, já que o mesmo, além de tudo que foi citado, gera poluição ambiental em larga escala (devido à superprodução) e aumenta a competitividade entre os países, induzindo-os à guerra e destruindo vagarosamente o planeta. O império atual ainda não caiu, mas agoniza, caminhando lentamente para o mesmo destino que outros grandes impérios da história caminharam: A Queda! E então, diante de tantos fatos concretos, será o marxismo uma utopia?

 

“Tudo que é sólido se desmancha no ar.” (KARL MARX)

 

Mendigo Bruno Aragão


Escrito por um Mendigo às 14h40
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